Lojas Murray


Domingo, Julho 30, 2006
Guerra absurda, como todas são

Os jornais deste domingo frio e chuvoso anunciam que a aviação de Israel atacou uma aldeia e crianças foram mortas. Não sei se estou ficando insensível, mas fotos de cenas sangrentas, tão comuns, já não me causam espanto. Leio textos produzidos por intelectuais árabes e israelenses. São contra a guerra. Quem tem um mínimo de raciocínio lógico abomina o morticínio inútil. Israel não vai recuar. Os extremistas xiitas não vão recuar. Conclusão, o massacre continuará, com perspectivas sombrias. A nuclearização do arsenal iraniano poderá ser o estopim de uma guerra de conseqüências imprevisíveis. Israel não vai correr o risco de ter nas vizinhanças uma nação hostil, que prega a sua extinção, portando armas nucleares. Conhecendo sua forma de agir, podemos concluir que vai atacar primeiro e avaliar as conseqüências depois. Eu disse atacar, com todo o seu poderio, o que inclui mais de cem artefatos nucleares. Parte desse xadrez diabólico tem como causa o petróleo e os interesses americanos. Parte fica por conta do fanatismo religioso. O petróleo vai acabar em trinta anos. A irracionalidade tende a aumentar com o tempo e com o isolamento dos fanáticos que vivem na Terra com a cabeça em algum lugar de existência pouco provável. Equação sem solução.
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Segunda-feira, Julho 24, 2006
Sonho de uma noite de inverno

Na noite do último sábado acabei dormindo na frente da televisão. Acordei tonto no meio da madrugada, fazia frio. Olhei as horas, duas e quarenta e cinco. Fui beber água. Quando voltei para desligar a TV estava começando um filme. Não vi o título, mas as cenas que se desenrolavam prenderam a minha atenção. Imagens violentas, dois rapazes e uma garota espancando um casal. O sangue jorrava sobre a cama, em certo instante voaram pedaços brancos de miolos. Imaginei ser coisa de Quentin Tarantino, uma nova versão de Pulp Fiction. Terminado o ataque os jovens saíram de cena, deixando o casal estático em meio a um mar de sangue. Depois de um corte brusco surgiu em cena um executivo trabalhando em uma sala luxuosa. Era um flash back, entendi logo a intenção do diretor, estava começando a história. O homem aparentava quarenta e cinco anos, era branco, alto e de olhos azuis. Sobre a mesa uma placa identificadora. Albert Udet, engenheiro civil. Udet, o mesmo nome do ás da aviação alemã da primeira guerra mundial. Com o desenrolar da película detalhes mostraram que o engenheiro era mais do que um técnico. Era arrecadador de fundos de um partido político que tinha como símbolo uma ave colorida. Como diretor de empresa estatal o engenheiro tinha meios de manipular concorrências e assim conseguir numerário para as campanhas de seus companheiros. Sua esposa, Marta Dora, era uma renomada psicanalista. O casal aparentava prosperidade, na verdade muito além do que seria possível com os salários que recebia. Moravam em uma casa grande e de mau gosto e tinham vários automóveis. Também tinham dois filhos, um garoto de quinze anos, André e uma garota de dezenove, Andréia, estudante de direito. A vida seguia seu curso até que o engenheiro Udet precisou abrir uma conta na Suíça para guardar dinheiro do partido. Ele o fez em seu nome e em nome da filha, que recebeu uma senha. Ela não tinha idéia de quanto era, imaginava ser uma pequena poupança para viagens. Andréia namorava Sérgio Barrinhos, garoto de classe média baixa, que vivia da venda de modelos de navios que fazia em seu quarto. Sérgio tinha um irmão mais velho, Alípio, também sem profissão definida, que vivia de bicos. Os pais de Andréia não aprovavam o relacionamento o que resultava em brigas e ressentimentos. Certo dia, após um diálogo ríspido com o pai, Andréia foi para o quarto levando um livro que encontrou sobre a mesa do escritório. Dentro dele, à guisa de marcador de páginas, havia um extrato com a quantia de cem milhões de dólares. Depositada na Suíça em seu nome e no de seu pai. Ela entendeu que a "poupança" era dinheiro ilegal, só poderia ser, eles jamais sonharam com valores tão altos. Na mesma noite ela contou ao namorado que a instigou a pedir uma parte, assim eles teriam como viver sem problemas, felizes para sempre. Ela pensou sobre a proposta e concordou. Os diálogos subseqüentes entre pai e filha foram terríveis, o pai temendo ser descoberto alterou a senha da conta. Fez isso na sexta-feira, na semana seguinte informaria ao partido e o dinheiro seria transferido. Ele já não era um porto seguro, sua filha sabia, outros acabariam sabendo. Naquela noite de sexta-feira houve uma terrivel discussão entre pai e filha. Ele terminou por esbofeteá-la na frente da mãe e do irmão. Corte rápido. Voltamos à cena macabra em que os irmãos Barrinhos e Andréia matam o casal. Aconteceu no sábado. A polícia não demorou em descobrir os autores do crime, que foram presos e depois de muitas idas e vindas condenados. A garota teve todo o tipo de assistência de amigos do pai, afinal de contas ela sabia a senha. Isto é, todos pensavam que ela sabia, até ela. O que ninguém desconfiava é que Udet a trocara na véspera da morte. Os três assassinos foram condenados. Sairiam em dez anos, tempo suficiente para combinar seis letras e três números e encontrar a chave dos cem milhões de dólares. Enquanto a tela escurecia para o tradicional the end, tive de me beliscar para saber se estava acordado ou era um sonho. Logo me dei conta da verdade, era um filme. Qualquer semelhança com a vida real não passava de coincidência.
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Sábado, Julho 22, 2006
Erramos

No post abaixo troquei as bolas. Quem procurava Franco Montoro não era o Emayel, meu candidato, mas sim Rivailde Ovídio. Onde andará figura tão marcante? Continuo mantendo meu voto em Emayel. Ê, Ê, Êmayel, um democrata cristão...
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El Imperador

O simpático velhinho Fidel Castro, presidente vitalício de Cuba, vai fazer 80 aninhos. Perguntado sobre sucessão ficou uma fera. Fidel torce por Lula. Bush também. Banqueiros trilionários adoram Lula. Renan e Sarney não cogitam trocar de líder. Professores, sindicalistas e funcionários públicos desejam ardentemente que Lula seja reeleito. Isso é popularidade. Eu não vou votar em Lula. Prefiro Emayel. Aquele que perguntava: onde está você Franco Montoro? Ê, Ê, Êmayel, um democrata cristão...
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Sexta-feira, Julho 14, 2006
Liberdade aos companheiros

Sob a retranca "Guerra Urbana" a Folha de São Paulo abriu o seguinte título: "Seqüestrador de Olivetto ensinou táticas ao PCC". Em seguida o olho esclarece: Preso desde 2001, Norambuena orientou facção a usar táticas de guerrilha em ataques. Para quem não está lembrado de fatos relacionados a seqüestros de empresários, vamos recordar.
Pouco antes da eleição que tornou Collor de Mello presidente, o empresário Abílio Diniz foi seqüestrado por uma quadrilha internacional. O fato foi usado politicamente. Ao serem presos os seqüestradores envergavam camisas do PT, que segundo eles foi imposição dos agentes policiais. O ato tinha como finalidade a construção do socialismo. Para tanto seqüestraram um capitalista. Faz sentido. O dinheiro tem de sair de algum lugar. Apesar da afronta às leis do país, os criminosos - ou revolucionários como preferem alguns - foram vigorosamente defendidos. Norambuena viu de longe e gostou do que viu. Ao ser preso declarou que no Brasil há muitos empresários seqüestráveis. E que a legislação é branda. Caso fosse apanhado haveria clamor popular pedindo a libertação do Robin Hood sul-americano. Ele não previu apenas uma coisa, o que acabou sendo a fonte de sua desgraça. A vitória do companheiro Lula. Com o PT no poder Norambuena vai apodrecer na cadeia. No entanto, caso Lula não seja reeleito, as coisas voltarão a ser como antes. Velhos lobos da esquerda sairão às ruas pedindo justiça. À frente Mogadon, seguido por uma multidão de companheiros cujos gritos ecoarão na Cordilheira dos Andes antes de se espalhar pelo universo.
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Quinta-feira, Julho 13, 2006
Um buraco para esconder a cabeça...

O termo guerra civil espelha bem a situação caótica da segurança pública. Ou seria mais apropriado dizer insegurança? O candidato José Serra abordou o cerne da questão. Drogas e armas. Sem vender drogas o crime não consegue recursos para adquirir armas, que embora proibidas são comercializadas livremente. Qualquer tipo de arma. Ainda veremos o PCC atacar com "Migs" usados. Serra falou bem, mas não vamos nos iludir. O governo Lula teve pouco êxito no combate ao contrabando. Nada diferente do que aconteceu no tempo de FHC. As drogas entram na quantidade que o mercado exige. Nesse quesito pesa a mentalidade hipócrita da classe média, que se diz contra a violência enquanto consome drogas ilícitas, alimentando a indústria do crime. Lembro-me de uma charge publicada no auge da fama de Fernandinho Beira-Mar. Mostrava empresários de comunicação comemorando a conquista de uma campanha antidrogas. Sobre a mesa de reuniões, esticadas com apuro geométrico, fileiras paralelas da mais pura cocaína. Enquanto isso a situação social continua se assemelhando a uma caldeira. O manômetro indica que a pressão está quase no limite da resistência das paredes de metal. Apesar da propaganda dizer que tudo vai bem, a realidade não é bem essa. Vai bem para gênios, como o filho de Lula, que em menos de quatro anos passou de desempregado a um dos maiores empresários do país. Nem todos têm essa possibilidade, fruto de herança genética privilegiada, marco da distinção entre escolhidos e simples mortais. Falar que é preciso fazer isso ou aquilo, no país da impunidade e do mensalão, é chover no molhado. O Brasil vai mal e tende a piorar. Quem sobreviver às balas perdidas verá.
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Sexta-feira, Julho 07, 2006
Quem diria?

Caro leitor, o que você pergunta quando alguém bate à sua porta? Quem é ou quem era? Suponho que seja quem é, vivemos no tempo presente. Assim sendo, caro leitor, caso um dia você escute o som familiar produzido pelos nós dos dedos na sua porta, ao perguntar quem é, poderá ter uma surpresa. Do outro lado uma voz rouca dirá: - Aqui é um trabalhador que veio do nordeste de caminhão, viveu nos fundos de um bar, lutou para se tornar metalúrgico, perdeu um dedo enquanto era explorado pelos capitalistas sem coração e hoje pede o seu voto. Companheiro, vote neste pobre trabalhador. Comovido com a história - verdadeira - do nobre personagem, você abre a porta e então a realidade se faz presente. O que você vê? Em vez do pobre metalúrgico, surge um almofadinha coberto de ouro e seda. Um milionário, com direito a todos os cacoetes dos ricos. É inacreditável, mas é verdade. Lula é rico. Muito mais do que você imagina. E vai ficar cada dia mais rico. Vote nele...
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Domingo, Julho 02, 2006
Time sem alma

Só hoje caiu a ficha. Que ressaca terrível, a cabeça dói. Perder faz parte do jogo, em 1982 perdemos da Itália e voltamos para casa, foi triste, mas ninguém pôde encontrar outro culpado que não a magia imprevisível do futebol. Neste primeiro de julho, dia que deve ser apagado da história do futebol brasileiro, perdemos covardemente, sem garra, sem luta, sem brilho, sem técnica. Os argentinos também perderam, mas foram superiores aos alemães, perderam nos pênaltis, o que é desculpável. O campeão por antecipação, com o melhor jogador do mundo e o maior goleador de todas as copas atuando lado a lado não conseguiu criar um único momento de magia futebolística. Parreira será o culpado? Pode ser que não, mas deve ser esquecido, ninguém tem o direito de perder quando tem tudo para ganhar. Como diz o dito popular: ao vencedor as batatas. Eu acrescento: ao perdedor o inferno. É o lugar de Parreira, de Zagallo, de Roberto Carlos e Cafu, do gordo Ronaldo e do risonho Ronaldinho, aquele que não ganhou um único lance na Copa e que não merece o título que ostenta. Se ele é o melhor, o que dizer de Zidane? Jamais esqueceremos o vexame de ontem, o dia que não deveria ter existido. Covardia não se esquece.
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