Lojas Murray


Quarta-feira, Novembro 15, 2006
O que será, será...

Especulações à parte, é cedo para falar nas eleições de 2010 e de seus favoritos. Muito do que está sendo publicado é descartável. É difícil prever o cacife eleitoral de José Serra daqui a quatro anos, depois de governar o estado mais rico do país. É difícil prever a quantas andará a popularidade de Aécio Neves ao fim do mesmo período, ele que vai enfrentar um segundo mandato muito mais difícil e desgastante do que o primeiro. Haverá um novo partido de centro-esquerda, (uau!) comandado por Serra? E o PT? Vai largar o osso sem mais nem menos, ou uma nova liderança será criada nas hostes sindicalistas capaz de suceder Lula? E o próprio Lula? Vai continuar no PT ou arriscará uma carreira solo ao lado de novos aliados? Ou tentará, ao lado de Dirceu reabilitado, tramar outra reeleição? São especulações, apenas isso, factóides para preencher páginas de jornal. A realidade, dura, mas certa como os impostos e a morte, é que não haverá o crescimento previsto na campanha. Não é preciso ser profeta para afirmar isso, basta olhar em volta. Esqueci do Alckmin. E o Alckmin, onde se encaixa? Vai peitar o Serra novamente? Vai continuar falando em choque de gestão? Quem viver verá.
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Quarta-feira, Novembro 08, 2006
Lembranças

Com o passar do tempo as lembranças ficam reduzidas a um plano, perdem a perspectiva. Acontecimentos de dez anos, vinte, trinta, em nossa memória são fragmentos temporais que ao vir à tona sugerem ter ocorrido ontem. Ontem Bush foi derrotado. Perdeu a maioria no Congresso. Há trinta anos aconteceu outra vitória dos democratas. Naquela época, acredito que o resultado tenha tido mais significado para o Brasil. Jimmy Carter venceu Gerald Ford e se tornou o 39º presidente dos Estados Unidos da América. Contra a vontade do stablishment local que preferia continuar trocando figurinhas com os republicanos. Carter venceu com uma plataforma de política externa baseada em direitos humanos. O governo brasileiro não gostava muito do tema. Eram tempos bicudos de personagens emblemáticas como Manoel Fiel Filho e Vlado Herzog, de triste memória. A mídia chapa branca torcia abertamente por Ford. Muitos dos que hoje estão ao lado de Lula, também. Na noite da vitória de Carter o Brasil calou. Eu soube do resultado pelas ondas curtas do meu poderoso Transglobe. Por aqui o silêncio era sepulcral. Quando a Globo finalmente anunciou a vitória democrata, o locutor exibiu um tom grave, como se estivesse fazendo um necrológio. De certa forma estava. Naquela noite o regime de exceção fora ferido de morte. Ainda se arrastaria por longos anos...
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Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Quero ver

Lula levou. Mais fácil do que as pesquisas indicavam. São dele as batatas. No calor da vitória, Lula disse que a meta a perseguir é o crescimento. Cinco por cento ao ano. É uma meta modesta, precisamos crescer no mínimo sete por cento para tirar o atraso de doze anos de monetarismo rígido. A inflação foi controlada a um preço exageradamente alto. Estamos com as estradas em frangalhos, com os portos em petição de miséria, com a educação capengando e com a dívida interna altíssima. Quase tudo o que é arrecadado pela máquina governamental é dirigido ao pagamento de juros. A dívida em si não é amortizada e continua crescendo de forma assustadora. Para que consigamos sair do marasmo será preciso fazer um acordo com a banca, as tais elites a que Lula tanto se refere e ataca e no calor da noite adula e enche os cofres.
Acontece que a elite não vai gostar de perder a boquinha, vai estrilar. Lula corre o risco de sofrer uma transmutação. De príncipe das esquerdas a sapo barbudo do anacronismo. Cuidado Lula, cuidado com as batatas. Elas poderão ser atiradas em você.
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Terça-feira, Outubro 17, 2006
Pérolas do socialismo

Um partido único eternizado no poder leva a situações que se não fossem trágicas seriam até engraçadas. Logo depois da queda do comunismo, na ex-União Soviética, algumas pérolas da eficiência que levou o "regime burro" ao abismo vieram à luz. A que mais me intrigou foi o passeio das alfaces. É que nos primeiros anos após a revolução, os produtos hortigranjeiros nem sempre eram provenientes das cercanias de Moscou.
Algumas leguminosas percorriam longas distância para chegar à capital. Os iluminados tecnocratas de Stálin fizeram inúmeras reuniões, perderam noites e noites de sono para criar uma norma que dizia que tais produtos viajariam em torno de mil quilômetros de trem. Como é sabido a burocracia estatal carece de inteligência, haja vista os nossos "aloprados do dossiê". Com um agravante, na ex-União Soviética quem desobedecesse ao sistema - infalível e perfeito como é o governo Lula - poderia ser enviado aos confortáveis campos de reeducação. Ficou então decidido, mil quilômetros e não se fala mais nisso. Quem tocar no assunto é de direita ou da elite.
E assim foi durante meio século. Nos anos da década de oitenta, um pé de alface plantado ao lado da praça Vermelha era embarcado em um trem e viajava quinhentos quilômetros em uma direção qualquer para então retornar e ser consumido, murcho de raiva e indignação. Só podia dar no que deu. Vinte anos depois do fim do "regime burro", querem implantar no Brasil uma estupidez semelhante. É possível pedir asilo em Marte?
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Sábado, Outubro 14, 2006
Sobre o poder

O poder é inebriante. É tão bom que um dia ACM disse a um repórter. "Vocês jovens pensam que sexo é bom. Vocês não sabem de nada. Bom mesmo é o poder". Deve existir alguma verdade nessas palavras, pelo menos a experiência mostra que é assim. Os milicos relutaram em deixar o poder e quando o fizeram foi contra a vontade. Collor nem bem assumiu a presidência, começou a escalada para se manter lá por vinte anos. Durou pouco, perdeu para si próprio, arrogância e prepotência o derrubaram. Na seqüência veio FHC, que assim que sentiu o sabor da presidência inventou a reeleição. Ninguém me tira da cabeça que ele imaginou que depois de oito anos no comando e de fazer o sucessor, voltaria para mais oito anos. Quem sabe nos braços do povo, o maior dos desejos dos políticos. Faltou combinar com o adversário, como dizia Garrincha. Finalmente a esquerda chegou ao poder, não com Lula, que nunca foi de esquerda, mas com o PT de José Dirceu e Tarso Genro. Sabe o que a troupe tratou de fazer assim que se acomodou nas confortáveis cadeiras de Brasília? Cuidou de aparelhar a máquina para ficar no poder nos próximos vinte anos. Collor e Lula, tão diferentes na embalagem, tão parecidos no conteúdo. Pode ser que Lula fique mais quatro anos, mas dificilmente fará o sucessor. As contas do primeiro mandato serão colocadas na mesa e produzirão um imenso desgaste nas pretensões do barbudo. Quem viver verá. Seja quem for o próximo presidente, logo começará a sentir a coceira do "para sempre". Em cada coração democrático reside um potencial ditador. O monstro totalitário só sai da toca quando o poder é atingido. Lula que o diga.
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Segunda-feira, Setembro 18, 2006
Cicarelli não é virgem...

O fato político do momento é o vídeo da Cicarelli. Quem é o marqueteiro dela? Quero a Cicarelli no meu partido, passaremos facilmente a cláusula de barreira. Coitada da Heloísa Helena. Estacionou nos oito pontos e agora desceu dois. Ela que se dava tão bem com o companheiro Suplicy, digo ex-companheiro. HH foi expulsa do paraíso. Teria comido a maçã ou foi o Suplicy que comeu a maçã dela? Estão dizendo que ele vai gravar "Blowing in the Wind" em parceria com José Dirceu, cuja carreira política "gone with the wind". Ainda dá tempo de mudar. Fico imaginando Heloísa Helena e Clodovil fazendo amor na praia, como a Cicarelli e o namorado. Não seria original, mas seria menos escandaloso do que as trapalhadas de Froidegodoy e seus miquinhos desastrados.
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Domingo, Setembro 03, 2006
Salazar

De vez em quando Salazar ponteia meus pensamentos. Para os mais jovens, que não sabem de quem se trata, estou falando de Antonio de Oliveira Salazar, ditador de Portugal durante quarenta anos. Fascista, católico conservador, simpatizante do nazismo, Salazar foi um governante absolutista, com idéias colonialistas do século XVIII. Para manter as colônias de África, Angola e Moçambique, envolveu Portugal em guerras dispendiosas, que mataram milhares de jovens. Ao mesmo tempo viu a Índia se apoderar de Goa, Damão e Diu, sem ter condições de reagir. Durante o governo de Salazar qualquer tentativa de oposição era fortemente esmagada. A PIDE, polícia política de métodos dignos da SS se tornou lendária, impondo terror aos portugueses. Inclusive aos que viviam na diáspora. Mas o que tinha Salazar de especial para que dele eu me lembrasse? Provavelmente o apego quase religioso à estabilidade da moeda. De 1928 a 1968, quando deixou o poder, inflação era uma palavra desconhecida em Portugal, parâmetro de tranqüilidade e segundo alguns críticos, monotonia. Ordem, estabilidade e moeda forte, eis o tripé do pensamento salazarista. Quase me esqueço da Santa Madre Igreja. Jesus também fazia parte do cenário. Nos quarenta austeros anos salazaristas a nação de D. Sebastião se transformou em fornecedora de mão de obra, exportando jovens para as Américas e Europa. Em Portugal não havia trabalho. Inflação zero. Crescimento também zero. Com a moeda forte surgiu uma casta financeira riquíssima, enquanto o país alquebrado envelhecia, até se tornar uma espécie de Albânia do Atlântico. No Brasil de hoje a inflação está controlada e existe liberdade de pensamento e expressão. No entanto, Portugal e Salazar não me saem da cabeça...
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Quinta-feira, Agosto 24, 2006
A mesma história...

Ligo a televisão e dou de cara com o candidato do aerotrem. Não sei quantos anos faz que ele usa o mesmo argumento, as mesmas imagens e consegue votos para continuar falando do aerotrem que nunca vem. Em todas as eleições se repete a mesmice. Suponho que a coisa vai continuar até que um dia ele morra de causas naturais. Ou de morte matada, quem sabe alguém cansado de tanta mesmice rogue uma praga. Algum deus grego de passagem ouvirá e lançará a lagosta cibernética explosiva. Zump. Lá vai o aerotrem pro espaço. Cheio de mensaleiros, sanguessugas e chatos diversos, daqueles que vivem lutando pelo povo e acabam ricos e contentes enquanto o povo permanece querendo algo novo. De qualquer forma o candidato do aerotrem já deve ter um herdeiro, que continuará dizendo que metrô é buraco de tatu. Com a cláusula de barreira em ação os partidos nanicos desaparecerão. Ainda bem. Sou contra o aerotrem. É perigoso e antinatural. Trem é trem, aero é coisa de avião, zepelim, passarinho e borboleta.
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Sábado, Agosto 12, 2006
Contradições

O faminto só tem um pensamento na cabeça: comida. Discursos não aplacam a necessidade de alimento. Lula tem o apoio maciço de pobres e desvalidos. Ganha disparado no rincão do desespero, no antro das aflições, no vale dos esquecidos. Paradoxalmente ganha também no salão dos abastados, que receberam tudo e querem mais, sempre mais, insaciáveis. O andar de baixo está feliz, sentiu a aragem da esperança. Populismo? Pode até ser, mas o que vai ficar na história é que Lula promoveu uma radical mudança no conceito de distribuição de renda. Colocou em prática a teoria, antes mera miragem, de agora em diante realidade palpável. Lula tem grande chance de ser reeleito, o que poderá ser objeto de lamentações futuras. O Brasil precisa mais do que um viajante que dá esmolas, melhor seria dar escolas. Espalhar migalhas é suficiente para reeleger o presidente, mas é incapaz de suprir as necessidades da nação, que cresce em ritmo de Haiti, devagar, quase parando. Com Lula nada vai mudar. "Nosso Guia" continuará alimentando a sanha do "mercado" com ouro em pó extraído da classe média. O Brasil precisa de um projeto consistente. Isso está fora do alcance de Lula.
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Domingo, Julho 30, 2006
Guerra absurda, como todas são

Os jornais deste domingo frio e chuvoso anunciam que a aviação de Israel atacou uma aldeia e crianças foram mortas. Não sei se estou ficando insensível, mas fotos de cenas sangrentas, tão comuns, já não me causam espanto. Leio textos produzidos por intelectuais árabes e israelenses. São contra a guerra. Quem tem um mínimo de raciocínio lógico abomina o morticínio inútil. Israel não vai recuar. Os extremistas xiitas não vão recuar. Conclusão, o massacre continuará, com perspectivas sombrias. A nuclearização do arsenal iraniano poderá ser o estopim de uma guerra de conseqüências imprevisíveis. Israel não vai correr o risco de ter nas vizinhanças uma nação hostil, que prega a sua extinção, portando armas nucleares. Conhecendo sua forma de agir, podemos concluir que vai atacar primeiro e avaliar as conseqüências depois. Eu disse atacar, com todo o seu poderio, o que inclui mais de cem artefatos nucleares. Parte desse xadrez diabólico tem como causa o petróleo e os interesses americanos. Parte fica por conta do fanatismo religioso. O petróleo vai acabar em trinta anos. A irracionalidade tende a aumentar com o tempo e com o isolamento dos fanáticos que vivem na Terra com a cabeça em algum lugar de existência pouco provável. Equação sem solução.
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Segunda-feira, Julho 24, 2006
Sonho de uma noite de inverno

Na noite do último sábado acabei dormindo na frente da televisão. Acordei tonto no meio da madrugada, fazia frio. Olhei as horas, duas e quarenta e cinco. Fui beber água. Quando voltei para desligar a TV estava começando um filme. Não vi o título, mas as cenas que se desenrolavam prenderam a minha atenção. Imagens violentas, dois rapazes e uma garota espancando um casal. O sangue jorrava sobre a cama, em certo instante voaram pedaços brancos de miolos. Imaginei ser coisa de Quentin Tarantino, uma nova versão de Pulp Fiction. Terminado o ataque os jovens saíram de cena, deixando o casal estático em meio a um mar de sangue. Depois de um corte brusco surgiu em cena um executivo trabalhando em uma sala luxuosa. Era um flash back, entendi logo a intenção do diretor, estava começando a história. O homem aparentava quarenta e cinco anos, era branco, alto e de olhos azuis. Sobre a mesa uma placa identificadora. Albert Udet, engenheiro civil. Udet, o mesmo nome do ás da aviação alemã da primeira guerra mundial. Com o desenrolar da película detalhes mostraram que o engenheiro era mais do que um técnico. Era arrecadador de fundos de um partido político que tinha como símbolo uma ave colorida. Como diretor de empresa estatal o engenheiro tinha meios de manipular concorrências e assim conseguir numerário para as campanhas de seus companheiros. Sua esposa, Marta Dora, era uma renomada psicanalista. O casal aparentava prosperidade, na verdade muito além do que seria possível com os salários que recebia. Moravam em uma casa grande e de mau gosto e tinham vários automóveis. Também tinham dois filhos, um garoto de quinze anos, André e uma garota de dezenove, Andréia, estudante de direito. A vida seguia seu curso até que o engenheiro Udet precisou abrir uma conta na Suíça para guardar dinheiro do partido. Ele o fez em seu nome e em nome da filha, que recebeu uma senha. Ela não tinha idéia de quanto era, imaginava ser uma pequena poupança para viagens. Andréia namorava Sérgio Barrinhos, garoto de classe média baixa, que vivia da venda de modelos de navios que fazia em seu quarto. Sérgio tinha um irmão mais velho, Alípio, também sem profissão definida, que vivia de bicos. Os pais de Andréia não aprovavam o relacionamento o que resultava em brigas e ressentimentos. Certo dia, após um diálogo ríspido com o pai, Andréia foi para o quarto levando um livro que encontrou sobre a mesa do escritório. Dentro dele, à guisa de marcador de páginas, havia um extrato com a quantia de cem milhões de dólares. Depositada na Suíça em seu nome e no de seu pai. Ela entendeu que a "poupança" era dinheiro ilegal, só poderia ser, eles jamais sonharam com valores tão altos. Na mesma noite ela contou ao namorado que a instigou a pedir uma parte, assim eles teriam como viver sem problemas, felizes para sempre. Ela pensou sobre a proposta e concordou. Os diálogos subseqüentes entre pai e filha foram terríveis, o pai temendo ser descoberto alterou a senha da conta. Fez isso na sexta-feira, na semana seguinte informaria ao partido e o dinheiro seria transferido. Ele já não era um porto seguro, sua filha sabia, outros acabariam sabendo. Naquela noite de sexta-feira houve uma terrivel discussão entre pai e filha. Ele terminou por esbofeteá-la na frente da mãe e do irmão. Corte rápido. Voltamos à cena macabra em que os irmãos Barrinhos e Andréia matam o casal. Aconteceu no sábado. A polícia não demorou em descobrir os autores do crime, que foram presos e depois de muitas idas e vindas condenados. A garota teve todo o tipo de assistência de amigos do pai, afinal de contas ela sabia a senha. Isto é, todos pensavam que ela sabia, até ela. O que ninguém desconfiava é que Udet a trocara na véspera da morte. Os três assassinos foram condenados. Sairiam em dez anos, tempo suficiente para combinar seis letras e três números e encontrar a chave dos cem milhões de dólares. Enquanto a tela escurecia para o tradicional the end, tive de me beliscar para saber se estava acordado ou era um sonho. Logo me dei conta da verdade, era um filme. Qualquer semelhança com a vida real não passava de coincidência.
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Sábado, Julho 22, 2006
Erramos

No post abaixo troquei as bolas. Quem procurava Franco Montoro não era o Emayel, meu candidato, mas sim Rivailde Ovídio. Onde andará figura tão marcante? Continuo mantendo meu voto em Emayel. Ê, Ê, Êmayel, um democrata cristão...
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El Imperador

O simpático velhinho Fidel Castro, presidente vitalício de Cuba, vai fazer 80 aninhos. Perguntado sobre sucessão ficou uma fera. Fidel torce por Lula. Bush também. Banqueiros trilionários adoram Lula. Renan e Sarney não cogitam trocar de líder. Professores, sindicalistas e funcionários públicos desejam ardentemente que Lula seja reeleito. Isso é popularidade. Eu não vou votar em Lula. Prefiro Emayel. Aquele que perguntava: onde está você Franco Montoro? Ê, Ê, Êmayel, um democrata cristão...
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Sexta-feira, Julho 14, 2006
Liberdade aos companheiros

Sob a retranca "Guerra Urbana" a Folha de São Paulo abriu o seguinte título: "Seqüestrador de Olivetto ensinou táticas ao PCC". Em seguida o olho esclarece: Preso desde 2001, Norambuena orientou facção a usar táticas de guerrilha em ataques. Para quem não está lembrado de fatos relacionados a seqüestros de empresários, vamos recordar.
Pouco antes da eleição que tornou Collor de Mello presidente, o empresário Abílio Diniz foi seqüestrado por uma quadrilha internacional. O fato foi usado politicamente. Ao serem presos os seqüestradores envergavam camisas do PT, que segundo eles foi imposição dos agentes policiais. O ato tinha como finalidade a construção do socialismo. Para tanto seqüestraram um capitalista. Faz sentido. O dinheiro tem de sair de algum lugar. Apesar da afronta às leis do país, os criminosos - ou revolucionários como preferem alguns - foram vigorosamente defendidos. Norambuena viu de longe e gostou do que viu. Ao ser preso declarou que no Brasil há muitos empresários seqüestráveis. E que a legislação é branda. Caso fosse apanhado haveria clamor popular pedindo a libertação do Robin Hood sul-americano. Ele não previu apenas uma coisa, o que acabou sendo a fonte de sua desgraça. A vitória do companheiro Lula. Com o PT no poder Norambuena vai apodrecer na cadeia. No entanto, caso Lula não seja reeleito, as coisas voltarão a ser como antes. Velhos lobos da esquerda sairão às ruas pedindo justiça. À frente Mogadon, seguido por uma multidão de companheiros cujos gritos ecoarão na Cordilheira dos Andes antes de se espalhar pelo universo.
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Quinta-feira, Julho 13, 2006
Um buraco para esconder a cabeça...

O termo guerra civil espelha bem a situação caótica da segurança pública. Ou seria mais apropriado dizer insegurança? O candidato José Serra abordou o cerne da questão. Drogas e armas. Sem vender drogas o crime não consegue recursos para adquirir armas, que embora proibidas são comercializadas livremente. Qualquer tipo de arma. Ainda veremos o PCC atacar com "Migs" usados. Serra falou bem, mas não vamos nos iludir. O governo Lula teve pouco êxito no combate ao contrabando. Nada diferente do que aconteceu no tempo de FHC. As drogas entram na quantidade que o mercado exige. Nesse quesito pesa a mentalidade hipócrita da classe média, que se diz contra a violência enquanto consome drogas ilícitas, alimentando a indústria do crime. Lembro-me de uma charge publicada no auge da fama de Fernandinho Beira-Mar. Mostrava empresários de comunicação comemorando a conquista de uma campanha antidrogas. Sobre a mesa de reuniões, esticadas com apuro geométrico, fileiras paralelas da mais pura cocaína. Enquanto isso a situação social continua se assemelhando a uma caldeira. O manômetro indica que a pressão está quase no limite da resistência das paredes de metal. Apesar da propaganda dizer que tudo vai bem, a realidade não é bem essa. Vai bem para gênios, como o filho de Lula, que em menos de quatro anos passou de desempregado a um dos maiores empresários do país. Nem todos têm essa possibilidade, fruto de herança genética privilegiada, marco da distinção entre escolhidos e simples mortais. Falar que é preciso fazer isso ou aquilo, no país da impunidade e do mensalão, é chover no molhado. O Brasil vai mal e tende a piorar. Quem sobreviver às balas perdidas verá.
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